segunda-feira, 21 de junho de 2010
Um gato, vivendo em um apartamento, observa a rua.
Um homem, vivendo em um apartamento, observa a TV.
Por telefone, fiquei sabendo das novidades.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Tantufas
terça-feira, 1 de junho de 2010
Ninguém quer ficar sozinho
Ficou e riram a noite toda das tosqueiras que lembravam.
domingo, 30 de maio de 2010
Falas
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Favor
sábado, 8 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Aquilo que já é
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Eureca
Dos posts do ano passado:
Mas é claro! Vai ser desse jeito, todos os meus filhos terão o mesmo nome!!
Quando chamar UM, virão TODOS!
Ou, se forem espertos, não virá NENHUM.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Vontade de viver.
Dos posts anteriores:
Acoh que a gente da cidade grande passa a vida tentando sobreviver. Quando abro a janela do quarto (nos momentos em que posso sair de perto do computador que é uma necessidade doentia de vício e comunicação) vejo bem em frente um apartamento que fica com a TV ligada na Rede Globo o dia inteiro. Num primeiro momento tive pena dessa pessoa que não sai da frente da televisão, mas agora posso perceber que ela encontrou uma forma de fazer a vida passar mais rápido.
Assim como os meus jogos (queridos jogos eletrônicos!) a gente precisa encontrar uma besteira não natural para poder aturar a vida de uma cidade grande regida pela eficiência. Sair na rua é um problema para quem não tem grana sobrando, e ficar em casa nos castra toda a vontade de viver. Portanto, o jogo, ou a TV, ou o próprio trabalho eficiente garantem que o nosso sofrimento com a falta de uma vida de verdade seja colocado de lado por um instante para dar lugar ao prazer momentâneo de uma cerveja quente ou uma nova versão de Silent Hill.
Eu acho que esse tipo de vida é válido para fazer valer o nosso lado mais cruel e selvagem, vindo das raízes primitivas do ser humano ou da imaginação fértil filme-televisiva. É nesse tipo de lugar que é posto em prova a nossa vontade de viver, mas não a vontade "propaganda-de-fim-de-ano", com promessas de uma ano melhor, paz e harmonia. Não existe harmonia em um lugar completamente construído e levantado sobre bases não naturais de um trabalho que, no fundo, não tem muito sentido para a nossa vida natural, aquela de quem nasce, vive e morre (pra sempre).
Nesse lugar do qual eu falo, a prova da nossa vontatde de viver vem da nossa própria vontade de se degladiar, de dominar completamente todos ao seu redor para poder, finalmente, ter algum sossego na vida. Veja: como é possível manter a calma e o espírito fraterno em um local no qual as redes de relacinamentos terceirizantes é tão ramificada que não se sabe nem quem talvez possa te ajudar em algo. Nesse lugar não há espaço para se fazer nada sozinho, salvo a violência (com uma abrangência da palavra muito maior do que a simples negatividade). Como um exemplo, preciso de pessoas interessantes para me sentir querido, útil e aprender o que quero aprender. Mas, para isso, estou preso à internet ou telefone, pois a cidade é grande demais e todos estamos muito ocupados para falarmos pessoalmente, ou muito apressados para mandarmos cartas e recados. Por sua vez, esses serviços eletronicos são prestados por empresas que, visando a produtividade e o lucro, terceirizam TUDO o que for possível para não terem dor de cabeça. Pois bem, o contato primeiro, pessoa-eu, está completamente comprometido por uma série de fatores externos a nós e que não são naturais. Enquanto tendo me "conectar" com o "mundo" através de uma conta de internet, a empresa terceirizada impede que meu cadastro seja efetivado pois outra empresa terceirizada, contratada pela mesma empresa-chefe, tem problemas com outro assinante do serviço que, por sua vez, não consegue sanar seus problemas em razão de mil outras terceirizações.
Pois bem, quando perguntei para a telefonista o que poderia ser feito a respeito de tudo isso, a resposta foi um desconto na mensalidade, por três meses, no valor total de R$50,00. Sendo assim, o problema real deveria ser resolvido com uma saída abstrata e sem sentido. Sete dias de dpr de cabeça, 5 protocolos anotas e mais de três horas com o ouvido no telefone ouvindo "aguarde um momento" não valem R$50,oo. R$50,00 não pagam o ódio.
Todas aquelas pessoas com quem conversei nessas 3 horas não interessam em nada para mim, assim como eu não sou nada para a pessoa do apartamento da frente que assiste a TV Globo o dia todo. Naturalmente, minha vontade é a de destruir (fisicamente e pontualmente) todo esse sistema que me impede de entrar em contato com quem eu preciso, em um serviço em que estou completamente regular.
Deixar de dormir ou ir ao médico para "voltar ao normal" são saídas um tanto imbecís (não do ponto de vista social) para uma coisa que é a vontade de viver, a vontade natural, que faz com que eu queira eliminar tudo o que há de ruim atrapalhando o meu caminho.
sábado, 3 de outubro de 2009
Das bandas de rock antigas
Dos posts anteriores e afinações feitas de ouvido:
Gosto das bandas e músicas de rock antigos porque eles conseguem me passar alguma coisa amais do que a simples música. Não são só essas bandas que me passam isso, mas são essas bandas que, pela sua simplicidade que tenta uma fuga daquilo que não é a liberdade ou algo real, mais real que o smulacro, deixam com que eu possa tocá-las no violão (ou numa guitarra, se eu a tiver em mãos).
Acordes relativamente fáceis e repetitivos são a base primeira para essas músicas, mas a intenção delas e o trabalho em conjunto é que garantem essa liberdade ou real de que falo.
E isso eu percebi porque, tentando tocar sozinho, no meu quarto, as músicas do Doors, Hendrix, Floyd e Jefferson Airplane e tantos outros, comecei a observar que essas músicas não servem pra muita coisa se eu estiver sozinho.
Quero dizer, se essas músicas, além de sons também são uma grande e bela mensagem falta-me para quem (ou com quem) falar. "Do you want somebody to love" pro meu armário não faz muito sentido. O computador aqui só entende escrita, não ouve nada.
Acho que não existe muito de liberdade não se estando em conjunto. E, portanto, é muito difícil haver música também.
Todo esse tesão de tentar viver e fazer alguma coisa legal vira um grande aborto quando se está sozinho.
Acho que solidão é melhor pra pensar, e conjunto é melhor pra fazer.
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Relatividade
Dos posts anteriores e pensamentos no ônibus:
"A sua vitória significa a derrota de seu aliado"
sábado, 29 de agosto de 2009
Ennio Morricone
Dos filmes anteriores:
Não sei dizer até que ponto Ennio Morricone é um músico fantástico enquanto compositor e maestro de música para cinema ou se é um mero (DUVIDO!!) acaso que diretores italianos com seus grandes filmes utilizem a música do cara em suas belas películas. Mas a verdade é que, desde que assisti pela primeira vez "Cinema Paradizo" não consegui conter as lágrimas durante a narrativa simples (DUVIDO!!) do garoto Toto. Aquilo tudo se passa na memória de um já velho Toto o que dá liberdade para a fantasia sobre o real: até um punhado de terra arenosa e vermelha pode ser bela na lembrança de alguém. Morricone consegue criar um significado que segue em paralelo com a imagem, mas com seu grau de autonomia que faz com que a música também nos conte quem é Toto, quem são as pessoas ao seu redor, como é sua cidade e, acima de tudo, o quanto tudo isso representa para o personagem principal.
Contudo, não apenas no filme de Giuseppe Tornatore, um grande diretor com uma grande narrativa imagética, mas também nos filmes de Sergio Leone, não consigo conter o nó na garganta criado pela beleza estética da junção imagem/música. Em uma cena como "Era uma vez no Oeste", na qual a personagem segue pela primeira vez para "Água Doce" e vê-se a imensidão do deserto e aconstrução da ferrovia que, trazendo os novos tempos, irá acabar de vez com o mundo do Velho Oeste, me emociono com a beleza daquilo tudo - seguro as lágrimas mais uma vez. Em "Era uma vez na América" acontece a mesma coisa, nem me dou conta de que é Robert DeNiro que está na tela no papel de "Noodles" e não passo os planos tentando descobrir se aquilo tudo é um grande cenário à moda italiana ou é uma locação real. Quando as crianças atravessam a rua à distãncia, todos juntos, quando ouço o tema de Deborah, não consigo pensar em outra coisa que não seja ainsignificancia da vida peranta a arte. - Mas é essa insignificancia, criadora da própria arte, que mareia meus olhos.
Não sei qual a "fórmula" de Morricone em suas músicas, não estudei música tão a fundo para entender o porque o violino entrou em tal parte ou ficou mudo em outras, mas, como qualquer mortal, consigo sentir pelo ouvido tudo isso misturado. É incrível como as passagens mais fortes, que apertam no coração enquanto assisto, são aquelas de certa forma simples, que vão num esquema II - V e terminam num acorde com sétima maior tão lindo quanto inesperado.
Morricone sabe como usar o acorde de sétima maior. E, para alguém como eu que aprendeu no Jazz e Blues, é difícil comseguir se segurar nesse tipo de acorde - mas isso é outra história.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Travei e não consigo mais voltar!
Toda vez que me drogo, faço para fugir do mundo em que vivo.
Minha droga é a fraqueza estúpida.
Dessa só tenho péssimas alucinações.
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Sobre, respira, prende o ar e volta pro fundo.
Meddle, em inglês, significa intrometido. Aparentemente, uma pessoa intrometida quebra ou desvia uma linha que outra pessoa estava seguindo, e isso tem uma conotação negativa. Contudo, algumas intromissões são responsáveis por grandes mudanças pra quem vê o mundo como uma única linha reta.
Ainda que estejam tentando por na nossa cabeça que o mundo é uma única linha reta, os intrometido ainda são muitos e estão por aí.
Cloudless everyday you fall upon my waking eyesInviting and inciting me to rise
And through the window in the wall
Come streaming in on sunlight wings
A million bright ambassadors of morning.
And no-one sings me lullabies
And no-one makes me close my eyes
So I throw the windows wide
And call to you across the sky
Para uma intrometida querida.
sábado, 15 de agosto de 2009
Reinvento a roda
Vejo-me com a liberdade de quem esta enclausurado em uma quarto de vidro, cinco andares acima do chão. Do meu pequeno umbigo consigo entender o mundo todo que observo não importando para onde eu olhe.
O grande mandamento só pode ser este: completa visibilidade.
Tenho ao meu lado esquerdo um jornal, ao lado direito um diploma, atrás de mim tenho uma garrafa de cerveja azeda, a minha frente um computador conectado com todos os computadores do universo. Abaixo de mim vejo mais quatro andares e, acima, outros inúmeros andares.
Conheço tudo aquilo que vejo, já sei suas reações e sei ate quando estão invisíveis. Conheço detalhadamente as moléculas que compõe tudo e do que são compostas as moléculas.
Conheço que não existe mais nada acima de mim, pois sei que a verdade sou eu mesmo, e as moléculas já estão ao meu dispor.
Minha juventude eterna será o grande fardo que todos vocês irão carregar, pois, não existe mais nada a ser reconhecido, tudo já foi devidamente arquivado para consulta.
Minha juventude eterna confirma que as suas vidas não passam de acaso e repetição.
Vi tudo no jornal.
Muito interessante ver que o sistema jamais funcionaria sem os operários famintos. É a necessidade visceral de se manter explorado que faz com que as empresas lucrem em qualquer ocasião. Mas é claro que o operário tem conhecimento de sua condição, ele só não tem como mudar isso, porque, mesmo que ele se rebele contra as “forças do mal”, outros estarão com a barriga ainda mais vazia, prontos a se entregar à empresa que o recompensar melhor.
O mundo esta dado e não existe poesia que mude isso.
E não deveria haver cordialidade no insulto.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Sacola de puta-que-pariu
O computador com internet é a grande benção do nosso século. Graças a ele pessoas como eu podem ter alguém com quem conversar. O mundo é muito cruel, as doenças estão aí e o ser humano é um canibal, portanto, não há motivos para que eu queira fazer mais nada que não seja no mundo virtual.
É incrível: não preciso mais fazer quase nada da minha vida, pois aqui sentado eu resolvo 97% dos meus problemas. Não preciso mais brigar com as pessoas por aquilo que eu quero, simplesmente mando um e-mail falando tudo o que eu quiser, ou melhor!, posso abaixar a minha cabeça, agunetar algumas horas de alguma coisa que eu ache errado ou não queira fazer, e depois posso ir até a internet extravazar minha raiva com algum jogo, sexo ou sites e programas de relacionamento.
Logo mais não vou nem precisar me movimentar para usar o computador. Aí será a maravilha, o grande avanço do século XXI!!!
sábado, 25 de julho de 2009
Do tédio (enquanto impossibilidade de se encontrar algo além daquilo que já está dado)
Enquanto jogo em meus brinquedos eletrônicos eu não sinto nada. Assim como quando me entupo de cerveja ou algum outro líquido alcoolico, bebendo como se eu não estivesse já cheio daquela coisa toda, os jogos me trazem essa sensação. O poder de imersão em alguma coisa da qual não deveria estar participando a não ser na loucura.
Os grandes jogos não precisam de gráficos, sons e efeitos impressionantes. Estes precisam de uma grande máquina que os faça funcionar, e essas grandes máquinas necessitam de um esforço humano para que a consigamos. No fim, o grande espetáculo audiovisual se perde na sua própria insustentabilidade diante das contas a pagar.
Os pequenos jogos (esses, os melhores) são aqueles que, além de funcionar naquela máquina que já tenho, ainda conseguem me transportar para o mundo que criam: um mundo completamente racional apesar de sua fantasia. Portanto, assim como um upgrade nas flechas me adiciona +2 de ataque contra os Orcs, o até contra os Bizantinos, alguns litros de cerveja me ajudam a acreditar e a viver em um mundo pacificado em que não é necessário pensar em mais nada que não seja salvar a partida antes de um ataque imporatnte ou conseguir aguentar o bastante para não ter que ir ao banheiro mais uma vez.
São fantasias tão racionais quanto uma compra de supermercado.
