quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Haiku - Bom pra mim e bom pra tu

No aquário um temaki
Nada despreocupado
Como se houvesse o amanhã

domingo, 9 de janeiro de 2011

Hagakure (mais um)

Pessoas inteligentes usarão essa inteligência para vestir tanto coisas verdadeiras quanto falsas, e tentarão lhe empurrar o que querem com argumentos criativos. Isso é um dos danos que a inteligência pode causar.
Nada que fizer terá efeito se você não se valer da verdade.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Gente estranha

Alguém lhe dirá que é paranóia
Sentir que o jogo está perdido
Mas você responde: "paranóico
É quem descobriu ser perseguido".
Gente é maluca, gente tenta ser feliz, gente tenta encontrar algo que preste na vida, gente se sente ameaçado pela morte só de saber que existe morte, gente perde a cabeça pra continuar vivo, gente perde o sossego antes de perder tudo, gente não tem nada a perder, gente acha que não é mais gente, gente acha que é mais gente que a gente, gente perde a noção de que gente é mais de um e além de nós mesmos.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

De lá de onde venho, também veio aquele senhorzinho alí, e aquela moça bonita Ah, ela já foi embora, também aquele casal com as crianças, alguns daqueles garotos que estiveram por aqui, as garotas que vieram logo em seguida, aquele homem alto, logo alí, conversando com o de branco, o de branco não sei de onde veio, veio também aqueles quatro jogando algo muito comun lá de onde eu venho, e tem também todo o pessoal que você ainda vai conhecer porque vem muita gente de onde eu venho pra cá. Ficamos assim então, de onde venho vieram:

Aquele senhorzinho alí
A moça bontia que foi embora bem agora
O casal com as crianças
Alguns, nem todos, daqueles garotos que estiveram aqui
As garotas que vieram logo depois dos garotos
O homem alto alí que agora está conversando de pé com o de branco
Os quatro jogando, eles nem perceberam a gente aqui.

E amanhã volto pra lá.

Poizé

Mandava com o dedo levantado que todos fossem tomar naquele lugar e mordia o lábio inferior fazendo careta com os olhos e estava cheio de raiva daquelas que muita gente tem quando outras muitas pessoas estão errando feio e precisam mesmo que alguém lhes mostre que as coisas não são assim tão difíceis quanto elas fazem que sejam. Pois não era ódio mas muita vontade de mudança pra melhor e dizem que quando se quer uma mudança há aí um egoísmo muito grande porque as coisas já são como estão e alguém simplesmente acha que elas não deveriam ser como estão então é quando tem gente que vem com ódio tentando destruir o que existe mas nesse caso ela não tinha ódio e só queria saber de mudar algumas coisas para melhor e não era vontade alguma de destruir pelo menos não fisicamente porque disseram também que mudar é destruir porque as coisas já estavam lá e alguém que muda está destruindo o que era. Então foi por isso que ficou assim com um dedo do meio de cada mão levantado e mordendo o lábio e fazendo careta e no fundo querendo que todo mundo parasse de ser tão tão tão tão... tão... tão "todo mundo" e que pelo menos alguém um pessoinha só conseguisse entender o que raios era aquela manifestação caricatural e raivosa.

Cinco anos depois e ninguém sacou dez anos depois e ninguém sacou quinze anos depois e ninguém mais lembrava trinta e cinco anos se passaram para que alguém abrisse um livro com uma foto estranha de alguém mostrando os dedos do meio e fazendo careta de ódio para poder receber o prêmio da academia pelo melhor estudo do comportamento humano sob os efeitos de shampoo de cabelo para cabelos cacheados.

Ainda outro lugar

- É por alí.
- Onde?
- Alí.
- Não vou por alí.
- É bem por alí.

Seguiu e foi seguindo o caminho indicado bem abaixo do portão que parecia não dar em lugar algum. Chegou e parou para tentar ver como estavam as coisas e enquanto olhava uma coisa as outras mudavam mas algumas demoravam um pouco mais para mudar e outras mudavam mais rapidamente então era o mesmo lugar com a paisagem mutável e mutante.

Eu quero eu quero eu quero eu quero
Eu queria... eu queria... eu queria...

Foi embora por um outro caminho que encontrou perguntando aos locais e com certeza chegou a outro lugar nem tanto diferente.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Easy go, easy come

Quando eu ficar velho, quero que me deixem morrer.
É uma coisa que acontece mesmo, não tem como evitar.
Às vezes, acho que é até egoísmo da nossa parte manter vivas pessoas que não tem mesmo mais jeito de viver decentemente. Elas querem voltar pra suas casas, querem saber onde estão maridos e esposas, porque é que tomam tantos remédios, e assim por diante.
E a gente lá, como se estivesse falando com uma criança - hoje em dia tá todo mundo virando criança de novo: "toma só mais esse aqui. Isso, agora esse aqui. Não quer a sopa? Não queeeer? Mas toma só mais essa colherada e mais esse remédio".

sábado, 1 de janeiro de 2011

Muito estranho mesmo (pra quem não consegue ver um palmo além do próprio nariz):

Tem gente que se esforça para ficar sozinho, ser solitário.

Novo ano

Ano novo pra mim é o dia do meu aniversário. É nesse dia que paro e reflito sobre o ano anterior, as conquistas, as derrotas, os cotidianos e tudo o mais, apesar de não pular as 7 ondinhas em pleno Outubro.
Diria que 2010 foi bem mais uma porcaria do que uma coisa extraordinária como foi 2006 pra mim. Bom, nem sempre o ano que vem tem que ser melhor que o anterior, mas esse foi especial: foi o ano de se ferrar com as expectativas ("que sempre nos fodem pór trás").
Foi o ano em que o emprego de fato acenou a mão pra mim e depois fui descobrir que era para a pessoa do meu lado na rua (!), que meu relacionamento com as pessoas foi realmente difícil a ponto de pensar em acabar de vez com essa história de "Mura", que as coisas que aprendi fizeram mais e mais sentido em mostrar que a vida mesmo não faz sentido algum.
Quero passar longe de ser um chorão e um niilista desiludido com a vida, mas o meu 2010 deixou a desejar mesmo.
Não quero esperar muita coisa de 2011, justamente pra não ficar preso a expectativas e a obrigação de faze-las acontecer. Imagine um homem que está assistindo a sombras em uma caverna e de uma hora pra outra sai desse lugar e dá de cara com um sol do meio dia... fiquei cegado com o tanto que a vida não é nada, não passa daquilo que nós mesmos inventamos sobre ela. E inventamos o tempo todo pra poder dar algum sentido artificial a ela, alguma coisa que nos deixe mais conformados com a já artificialidade da vida cotidiana, do homem bom e justo, pai de família, diplomata.
Não me lembro de ninguém, em 2010 que vive realmente. Todos estava só tentando sobreviver - e com isso sonhamos com terras onde jorram leite e mel do meio das pedras.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Feliz Natal e um próspero Ano Novo!!

Acho o Natal e o Ano Novo dias muito errados.
Não consigo aceitar que essas datas comemorativas sejam dias tão especiais quando não passam de propagandas para vender geladeira ou pacote de viajem para Salvador. Puxa vida, que história é essa de que a gente TEM que ser feliz?
A casa cheia, repleta de comida, presentes embrulhados escondidos no armário, roupa limpa, e, quando ponho o pé pra fora de casa me pedem "por favor posso lavar o seu carro por R$5?". Não consigo aceitar que essa pompa toda é pura propaganda de televisão. Tomei no rabo feio, e foi pra aprender desde criança: pedi pra minha mãe um videogame de natal porque um amigo iria ganhar um, mas como me negavam o aparelho comecei a discursar que aquela pessoa seria muito mais feliz que eu pois ela poderia desfrutar quando quisesse dos jogos e da diversão garantida, e eis que me retrucaram sem nenhum rodeio que "aquele garoto da foto do cartão pra doar R$5 vai ganhar um tênis que seu pai doou porque ele não tem nem uma família". Como fui besta.
Que raio de "espírito natalino" é esse que nos faz enfeitar nessa data, colocar luzes e reunir a família, com um sonho de que no ano que vem tudo será melhor? Ora, é apenas uma data, um marco, o mundo surgiu, o homem cagou pela primeira vez, as coisas acontecem, e nada disso depende de uma data pra acontecer. Essas datas são criações nossas, e nos apoiamos nelas por desespero diante da vida sem sentido. (atenção, generalização à frente) Vivemos sem sentido algum a não ser o trabalho e a compra de coisas que nos deixe menos estressados para poder trabalhar mais e mais.
Odeio o Natal e o Ano Novo e essa idéia de que é uma data que DEVE ser comemorada de uma forma diferente do que um dia comum. Que porcaria é essa de fogos de artifício na beira da praia? Besteira! "Meu sonho é ir pro Rio ver a queima de fogos". Ah, por favor. E o raio da frustração dos coitados que jamais poderão ir para o Rio, salvo de buzão, amontoado, pra passar dias numa casa alugada, fruto de MUITO trabalho.
Droga de televisão que põe na cabeça da galeira que SER FELIZ É SER BONITO, é estar de branco, descalço e pulando ondas numa cidade a mais de 300Km de onde essa pessoa mora. Droga de obrigação de ser feliz quando não se é possível mesmo, quando o esforço nos esgota e não aproveitamos nada, quando perseguimos um sonho inventado que dura apenas um dia, quando nos sentimos culpados por não poder fazer dessa data aquilo que vemos na TV. Porra de Papai Noel vermelho, entregador de presentes comprados a prestação, às pressas, sem valor sentimental.
Porra de esperança em acreditar que aquele dia será mais feliz que um dia comum.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Auto-sabotagem

A respeito desse POST, nem tão antigo:

Auto-sabotagem.
A Laís acertou de primeira!
Fico nesse jogo em que vivo: faço o que eu piamente acredito que é o certo de se fazer pra poder viver ou faço o que todo mundo faz e dá certo?
Acabei de ler aquele livro "Ismael" e me sinto como o tigre que fica na jaula se perguntando "Porque? Porque? Porque?" - leiam pra entender o que quero dizer.
Realmente acho que o mundo tá todo errado e a gente vive em direção duma robotização da vida absurda, uma robotização com maquiagem de "liberdade". Puxa, liberdade hoje, se formos bem a fundo, seria traduzida como "liberdade de consumo e fetiche da mercadoria". Foda foda foda, mas é o que é.
Arranjar trabalho, "se esforçar" pra ser o melhor, "subir na vida"... tudo isso é só pra poder comprar as coisas que a gente precisa pra poder se desligar do trabalho. Pra que tanto trabalho??? Ora, pra comprar uma TV maior, um computador com mais jogos/pornografia, viajar para todos os pontos turísticos do mundo, comer carne de outro lugar. Que bosta, se não faço isso sou um grande perdedor, alguém que deixou a vida passar.
Entendem o que quero dizer agora?
E você acertou em cheio, senhorita Laís: só mesmo me auto-sabotando pra poder "entrar no eixo", "andar nos trilhos" - triste.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Minha vida em alguns bits

Quem sabe sabe: ficar sem o querido computador é como se arrancassem um pedaço dagente.
Me lembro quando meu PC, aquele que tem toda a minha vida, todos meus arquivos de música, foto, jogos (queridos jogos) e a coisa mais valiosa que é internet, meu meio de comunicação e forma de não ficar tão sozinho, me lembro quando tudo isso simplesmente parou de funcionar.
Fiquei pensando em o que seria de mim se agora meu computador resolvesse desligar sozinho e não avisar mais quando volta. Seria quase como voltar pra idades pré históricas da civilização. Com certeza eu iria TENTAR dormir, é tudo o que teria pra fazer.
Puxa, sou completamente dependente do computador pra não ficar sozinho, e cada vez mais me afundo nele...
E é verdade mesmo tudo isso que to escrevendo!

Substituição

Não venham me entender errado ou fazer um mau juízo do que vou dizer agora: todo mundo é substituível.
Isso me vem a cabeça logo após pensar que, queiramos ou não, a vida tem um fim concreto, morte do corpo. Logo também tem fins abstratos, como mudanças radicais no cotidiano, sonhos, frustrações e todo o tipo de coisa que acaba metafisicamente com a vida.
É sobre esse ponto de vista que comecei a ver que todo mundo é substituível, e que isso não é nenhum tipo de niilismo ou negatividade da minha parte. Substituímos uma pessoa por outra quando aquela nos faz muita falta por qualquer razão que seja.
Vivo dizendo que ninguém é igual a outra pessoa, principalmente os queridos - não adianta tentar encontrar uma pessoa muito querida a não ser nela mesma! - e continuo batendo o pé a respeito disso. Mas, em algum momento, em caso de qualquer um dos "fins" citados acima, sentimos falta daquilo que a certa pessoa nos fazia, daquilo que nela nos deixava completos, e, dessa forma, partimos pra procurar não mais a pessoa especial, mas aquilo dela que nos completava.
Em um primeiro momento não há maldade alguma nisso que estou dizendo, e é por aí que eu paro, na mera constatação de que nós somos seres desejantes de coisas, e tentamos conseguir o que queremos e precisamos. Amigos, namorados, pais, irmãos, padre e padeiro da esquina, todos são substituíveis no momento em que deixam de existir definitivamente nas nossas vidas.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Licença poética

Em casa, toco piano.
Cada uma das músicas mais lindas que consigo tocar vendo a tarde se por.
Toco pra não ficar sozinho.
E as notas são pra você, Laís.

Falta de... falta de... falta de... ??

Tô fazendo tudo errado.
Sei como se faz, sei por que é assim que faz, sei o que eu ganho com isso.

Mesmo assim faço tudo errado.
Que raio que acontece?

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A respeito do post anterior:

Como são fodas os filmes em que as personagens são contruídas aos poucos e a gente não consegue ter raiva total delas ou compaixão total. Mesmo no final do filme perdura aquele "gostinho" de que eles são tão humanos quanto eu.

Eu que não fumo pedi um cigarro

Meu maldito core obscuro do cérebro, o mesmo que funciona a mil pra me trazer os sonhos enquanto durmo, não parou de funcionar. Passou uma semana inteira dando voltas e mais voltas nele mesmo e na cabeça toda e foi pras mãos pros pés pro coração pra barriga pra boca do estômago e ainda não decidiu o que fazer.
Sempre uma decisão difícil: Enishi Vs Kenshin. Enishi Vs Kenshin.
Quanta força ainda terei que usar para não escolher Willian 'Bill' Munny?

Então o Little Bill Daggett está deitado no chão e diz:
- I don't deserve this... to die like this. I was building a house.
- Deserve's got nothing to do with it.

Easy come, easy go

De repente, de repente mesmo... me passou pela cabeça que pode ser que eu tenha que mudar alguma coisa.

Acasos

É incrível pensar que os queridos e memoráveis acasos acontecem pra mim APENAS dentro de três variáveis. São elas: estou sentado e o lugar ao lado está vazio/ tenho que me sentar e só há um lugar vago, estou bêbado com Mura no level mil, ou estou sentado/ terei que sentar e estou bêbado.
Não tô fazendo nenhuma alusão boba a bebidas, só estou constatando que a ligação entre uma coisa e outra é constante.
Sair de casa também é quebrar a rotina, e quando quebramos a rotina temos uma percepção mais aguçada daquilo que está acontecendo ao nosso redor. Acasos queridos NECESSITAM de uma percepção maior do mundo, precisam de um algo a mais de nós mesmos pra acontecer.
Puts, não é por nada... nem sei porque comecei a ligar os fatos sem motivo...

Música para além do som

Sobre um post recém escrito:

Se eu tivesse conhecido Pink Floyd num momento ruim da minha vida, com certeza estaria até hoje sem conseguir ouvir Dark Side of the Moon para além do Breath, ou no máximo On the Run.
Quando ouço as músicas do Morphine, apesar de me identificar com o som e achar o máximo aquele sax, começo a me lembrar do momento em que conheci a banda, de tudo o que eu estava passando, do MSN, blogs alheios... "All wrong", "I'm Free now", pulo as músicas pra, quem sabe, voltar mais tarde e conseguir ouvi-las.
Por outro lado, tem o Tom Waits. Esse eu descobri sozinho em sua áurea época do Rain Dogs, Mule Variations, álbuns mais conhecidos e até premiados. Só não conhecia mesmo seus primeiros momentos, aqueles do Closing Time e assim por diante. "Had me a girl" foi o ponto de partida para a redescoberta - my doctor says I'll be alright but i'm fellin' blue.
Acho que é pela simplicidade das letras e das melodias que consigui encaixar esse Waits mais antigo nos momentos que passei, justamente esses mesmos momentos que me afastam do Morphine. Veja só: a já citada Ol'55, com seu "just wishing I'd stayed a little longer" traduziu meus pensamentos de primeira; Old Shoes me confortava trocando minhas mágoas por um certo carinho ao perceber "that we'd lost the magic we had at the start" mas ainda sim havia a despedida à garota "with the sun in her eyes"; Grapefriut Moon com "every time I hear the melody, something breaks inside" não há 'melody' alguma, mas também coube como uma luva;
"And I hope that I don't fall in love with you 'cause falling in love just makes me blue", "I'm glad that you're gone, got the feeling so strong, but I wish to the Lord that you come home", "house where nobody lives"... tudo simples e sem frescura.
Tom Waits me deu força pra continuar, pra me lembrar que a vida não é quase nada de especial e que ela acontece e pronto, que a gente fica triste mesmo quando as coisas dão muito errado - coisa que o Mura sempre soube! Morphine só me traz recordações ruins apesar de seu som fu-di-do.


PS I: sempre pulei a "Martha" do Waits. A princípio por achar muito triste que isso fosse acontecer comigo, de num futuro qualquer eu estar num telefone tentando falar com alguém pra poder dizer coisas que não havia dito no momento que deveria ter dito "it's been so many years", mas depois foi por pensar que a melancolia de "those were days of roses..." poderia não ser pra mim, mas pra outra pessoa.
PS II: devo dizer que imediatamente antes de começar a ouvir Morphine e Tom Waits eu passava as tardes com o The Wall martelando minha cabeça.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Não estão prontos e, acho, não estarão

Me lembro que conversávamos por mensagens de texto, eu aqui e ela lá, sobre como as pessoas não estão prontas pro amor. Me lembro de estar convicto disso quando falei "não estão prontas pro amor" e ainda acho que não estão.
Por um segundo eu ligo o meu "bom senso" e penso que as vezes sou eu quem está ultrapassado naquilo que é o amor. Mas isso não é a verdade, porque as pessoas mesmo é que não estão prontas.
Há um certo limite para até onde você pode chegar numa relação interpessoal, principalmente a dois. Porque a três, quatro, cinco, assim por diante, a coisa não parece precisar muito de amor mesmo, precisa mais é de uma coragem estranha que se confunde mesmo com a mesma bolha que impede as pessoas de se tocarem.
Bom, quanto ao amor a dois, existe esse limite imposto pela vontade de ser aquilo que eu quero aparentar ser, e não vontade de ser aquilo que já sou. Amor demais é perigoso e pode por tudo a perder, inclusive nosso cabelinho arrumado. Não deveria ser perigoso, mas o é a partir do momento em que perdemos outras "oportunidades" da vida, perdemos a nossa "liberdade" em função de algo abstrato e disforme.
Quando digo que as pessoas não estão prontas para amar é porque tenho certeza que elas possuem tantas coisas que tem muito medo de perder todas, tem certo medo de morrer e sumir da face da Terra. Ora, morrendo ou não o fato é que uma vida feita de seriados na televisão e R$50 conto de entrada num barzinho qualquer não produz uma conversa franca sequer.
Amor é pra quem pode.

Morphine

Ainda preciso aprender a ouvir Morphine sem relacionar com nada dos meus pré conceitos de quando conheci pra valer a banda. Tenho tudo pra gostar desse som pesado e denso, mas algumas lembranças me impedem de curtir o som por ele mesmo...

E foi assim mesmo

Ok, foi assim que aconteceu e me disseram pra dançar e me deram um boanoitecinderela pela metade e eu não dormia nem acordava estava no limbo vendo tudo o que me acontecia sem nem ao menos sentir nada ouvir minha voz ou outro som qualquer e logo depois fui voltanto voltando e não tinha mais ninguém por perto todo mundo dançava e curtia e bebia as coisas e continuavam de pé curtindo.
Digo que foi muito muito estranho estava com a bunda no chão e foi a primeira vez que percebi que tinha tênis canela joelho coxa e pernas e elas eram parte de mim assim como todo o resto que estava sentindo naquele momento uma vontade imensa de chorar de muita raiva e muita alegria de perceber que alí não era o meu lugar que era para onde todos iam e se empurravam pra entrar mas não fazia o mínimo sentido qualquer um de nós estar alí.
Foi daí em diante que saía e voltava pra casa quando percebia que era de coração.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sobre um bando de coisas

Se eu fosse realmente muito feio, e não ligasse realmente pra nada, com certeza já estaria muito longe de onde estou agora.
Sim, estive pensando que o medo de ser nada é que me deixa pregado no chão, pensando em possibilidades imbecis de sobrevivência, ao invés de mais possibilidades de vida. Quanto medo de levar um mera porradinha na cara, um pisão no dedo do pé, aquele dedo que na real nem dói tanto quanto um dedinho que foi de encontro ao pé da mesa.
É dessa beleza não somente física e sensorial mas também duma beleza de alma, aura, espírito, essa beleza de tentar ser Jesus Cristo, ou pior, Maria Imaculada, que me fizeram um homem com carinha de bumbum de bebê, cabelinho escovado e um baú cheio do que é mais podre em mim.
Apodreceu porque não deixei que surgisse quando devia, ficou para trás por pensar que eu seria pior se fosse mais vivo.
Morto desde criança, agora tento deixar de ser zumbi.